Entrevista com Nicolás Carbonell - AgroGlobal

15/01/2026

“Sem treinamento e ciência, o bem-estar animal não pode ser mantido ao longo do tempo.”

Engenheiro Agrônomo, Mestre em Bem-Estar Animal pela Universidade Autônoma de Barcelona, ​​Diretor de AgroGlobaParceiro local de WelfairNicolás Carbonell, natural da Argentina, desenvolve sua atividade profissional na área de bem-estar animal na América Latina. Com uma carreira que combina consultoria e ensino universitário, ele trabalha com produtores e empresas em toda a cadeia agroalimentar, promovendo uma abordagem de bem-estar animal baseada em “ciência, eficiência e sustentabilidade”.

Nesta entrevista, Nicolás compartilha sua trajetória profissional, sua visão sobre o estado do bem-estar animal na Argentina e o papel que ele pode desempenhar. Welfair® no desenvolvimento do setor.

Os primórdios do bem-estar animal
A jornada de Nicolás começou com a formação em engenharia agrícola. No entanto, foi durante seus estágios em diversas fazendas que ele começou a questionar certas coisas: "No meu dia a dia, deparei-me com práticas de manejo e formas de tratar os animais que eu não considerava corretas", recorda. Essa experiência foi o ponto de partida para aprofundar seus estudos em etologia animal, com o objetivo de compreender a relação entre o comportamento natural dos animais e os sistemas de produção.

Além disso, Nicolás participou de um intercâmbio acadêmico na indústria animal em Murcia (Espanha), o que solidificou ainda mais a ideia de criar uma instituição que pudesse transferir esse conhecimento para fazendas na América Latina.

O nascimento da AgroGlobal
Essa preocupação deu origem, em 2018, à AgroGlobal, uma instituição dedicada à "formação e consultoria técnica na indústria alimentar, com foco especial na indústria da carne e no bem-estar animal".

Hoje, Nicolás desempenha uma dupla função na organização: é diretor e, ao mesmo tempo, consultor técnico. Ao longo dos anos, trabalhou com profissionais com mais de três décadas de experiência, visitando fazendas, matadouros e operações de laticínios.

“A interação com operadores, gerentes e diretores nos permitiu entender como cada elo da cadeia compreende o bem-estar animal, do que ele precisa e como comunicar isso de forma útil para eles”, explica.

Capacitação e consultoria
A AgroGlobal estrutura seu trabalho em duas áreas principais. A primeira é a formação e a educação, por meio de cursos, diplomas e programas de capacitação voltados para todos os atores da cadeia agroalimentar, desde o trabalho no campo até o consumidor final.

A segunda área é a consultoria técnica, desenvolvida por meio de treinamentos presenciais adaptados à realidade produtiva e técnica de cada estabelecimento. “O importante é entender que não existem soluções universais. Cada sistema tem sua própria realidade, e o bem-estar animal deve ser integrado a ela de forma viável”, destaca.

A percepção do bem-estar animal na Argentina
Para Nicolás, o bem-estar animal na Argentina já é um conceito consolidado, e sua importância cresce a cada ano. No entanto, ele identifica uma clara lacuna entre a indústria e o consumidor: “Os consumidores ainda têm uma percepção parcial — às vezes equivocada — dos sistemas de produção, enquanto muitas empresas já estão trabalhando seriamente no bem-estar animal”, explica. Segundo ele, essa lacuna só pode ser reduzida por meio de uma comunicação mais clara e transparente.

O estudo também destaca que grandes empresas ou aquelas com presença em mercados internacionais tendem a demonstrar maior afinidade com o bem-estar animal, impulsionadas por demandas comerciais e de mercado.

Bem-estar animal, treinamento e competitividade
Ao analisar os pontos de contato entre os objetivos e padrões da AgroGlobal. WelfairNicolás ® identifica três eixos fundamentais.

A primeira é promover uma produção mais ética e sustentável. A segunda é a formação e a educação baseadas em critérios científicos. E a terceira é melhorar a competitividade da indústria, agregando valor aos produtos e facilitando o acesso a novos mercados.

“Quando o bem-estar animal é devidamente integrado, ele não só melhora a ética do sistema, como também sua eficiência e posicionamento no mercado”, afirma. Nesse sentido, Nicolás enfatiza que os avanços no bem-estar animal só são sustentáveis ​​quando apoiados por treinamento e critérios científicos claros. Ele reitera: “Sem treinamento e sem ciência, o bem-estar animal não pode ser sustentado ao longo do tempo”.

Quadro regulatório e desafios
Em relação à legislação, Nicolás destaca que na Argentina — e em grande parte da América Latina — as normas vigentes ainda são básicas e focam principalmente no manuseio durante o transporte e o abate.

“Há uma falta de integração completa em toda a cadeia de suprimentos, da produção ao produto final, e uma falta de alinhamento com os padrões internacionais”, explica ele. Essa integração permitiria que as regulamentações se tornassem não apenas requisitos legais, mas também ferramentas produtivas.

Entre os principais desafios para as empresas na implementação de normas de bem-estar animal, destacam-se a adaptação dos sistemas de produção e os custos associados, bem como a necessidade de uma mudança geracional que já começa a se tornar visível.

A tecnologia como aliada do bem-estar animal
Nicolás destaca o papel fundamental das novas tecnologias na implementação e avaliação do bem-estar animal. Sensores, câmeras, inteligência artificial e sistemas de monitoramento permitem avançar rumo a uma mensuração mais objetiva do bem-estar.

“A Argentina é um país altamente avançado tecnologicamente, com um forte compromisso com a inovação. A chegada de protocolos como...” Welfair"O ® pode acelerar tanto a adoção de tecnologia quanto a melhoria das práticas de gestão que não exigem grandes investimentos", argumenta ele.

O papel de Welfair® no futuro do setor argentino
Como parceiro local de WelfairNicolás acredita que o programa ® na Argentina pode fornecer uma estrutura sólida e cientificamente validada para o bem-estar animal no país.

“A grande força do protocolo Welfair"Sua abordagem abrangente à cadeia de suprimentos é algo de que a Argentina precisa urgentemente hoje. A capacidade de oferecer rastreabilidade completa gera confiança, melhora a percepção do consumidor e abre novos nichos de mercado", conclui ele.

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