Entrevista com Laura Pérez

27/11/2024

"As auditorias não apenas avaliam, mas também ajudam a padronizar e melhorar as práticas agrícolas."

A certificação Welfair® não se limita apenas a cumprir regulamentações; seu propósito é realmente entender como os animais vivem e se sentem. Nesta entrevista, Laura Pérez Sala, Auditora Líder da Welfair® compartilha sua carreira profissional, as chaves para seu trabalho diário e como esse esquema de certificação com base científica está transformando a indústria agroalimentar para garantir um futuro mais ético e responsável.

Uma carreira marcada pela paixão pelo bem-estar animal 

Laura Pérez iniciou sua carreira como veterinária autônoma, prestando consultoria independente no setor de suínos. Desde o início, especializou-se em manejo, biossegurança e gestão de pessoas — áreas essenciais para garantir um relacionamento saudável entre cuidadores e animais. Há cinco anos, Laura descobriu uma nova oportunidade profissional ao conhecer um protocolo relacionado ao bem-estar animal.

Etologia e bem-estar sempre lhe pareceram fundamentais na profissão veterinária. Por isso, decidiu se formar em protocolo. Welfair®, concluí os dois módulos específicos para suínos e comecei a auditar. "Achei que foi um trabalho excepcional porque me ensinou a observar novamente, algo que nós, veterinários, muitas vezes perdemos com o tempo. Além disso, senti que estava fazendo algo importante para melhorar a vida dos animais", reflete Laura.

O papel do Auditor Líder e as responsabilidades no protocolo Welfair® 

Como Auditora Líder, as responsabilidades de Laura incluem supervisão técnica, treinamento e administração. No caso dela, ela é a principal responsável pelos módulos relacionados à carne suína, pois esta é sua especialidade.

As responsabilidades incluem resolver questões e problemas levantados pelos auditores, treiná-los, credenciá-los e conduzir auditorias anuais. As calibrações são realizadas a cada cinco anos para garantir que os padrões permaneçam consistentes em todas as avaliações. Há também um componente de relatórios que envolve o gerenciamento de não conformidades e a revisão de relatórios.

Sobre a formação exigida dos auditores, Laura explica que eles precisam ter formação acadêmica, necessariamente relacionada ao setor, e, se possível, alguma experiência. Além disso, "conhecimentos básicos de biossegurança e manejo são essenciais, especialmente porque observamos, mas também trabalhamos dentro dos currais. É preciso saber como tratar e interagir com os animais e, claro, estar familiarizado com as condições da fazenda".

Laura enfatiza que a qualificação de novos auditores é uma etapa essencial. Esse processo consiste em uma semana de treinamento intensivo, durante o qual o protocolo é ensinado, as medidas são praticadas e exames teóricos e práticos são realizados nas fazendas. "Qualificação é treinamento, mas também é avaliação. Se o auditor não tiver as habilidades necessárias, não poderá desempenhar a função, embora a maioria conclua essa etapa com sucesso."

A supervisão do auditor é realizada de duas maneiras: primeiro, com base em possíveis desvios detectados em relatórios ou monitoramentos; segundo, por meio de supervisões anuais periódicas. Essas supervisões permitem a padronização de critérios e garantem que as avaliações das fazendas sejam realizadas de forma consistente, independentemente da localização ou do auditor.

Como funciona o processo de auditoria em Welfair® 

O selo do bem-estar animal Welfair® é totalmente voluntário. As fazendas aderem a ele voluntariamente, seja por estarem convencidas da importância do bem-estar animal, seja por solicitação do matadouro ou por solicitação do cliente final, como as cadeias de distribuição de alimentos. Este protocolo baseia-se no próprio animal, seguindo quatro princípios (boa nutrição, bom alojamento, boa saúde e bom comportamento) e doze critérios definidos após anos de pesquisa científica. As medidas aplicadas permitem uma avaliação objetiva e mensurável do bem-estar animal.

Para selecionar as fazendas a serem auditadas, é calculada a raiz quadrada do número total de fazendas de uma empresa, determinando assim uma amostra representativa. "Internamente, todas as fazendas de uma empresa são avaliadas anualmente. Por outro lado, externamente, os organismos de certificação avaliam uma amostra representativa. Essa amostra equivale à raiz quadrada do número total de fazendas da empresa e é selecionada aleatoriamente com base nas características da fazenda", explica o Auditor Líder.

Embora a maioria das auditorias seja agendada com o cliente, também há uma porcentagem de auditorias não anunciadas, que visam garantir que as melhores práticas sejam aplicadas diariamente e não apenas no dia da auditoria.

Critérios científicos e sua implementação em auditorias

Os princípios fundamentais do protocolo Welfair® são derivadas das cinco liberdades definidas há décadas para os animais. Cada uma delas é medida por critérios específicos e observáveis, como facilidade de movimento e ausência de lesões ou doenças.

“Essas medidas são, em sua maioria, objetivas e rápidas de avaliar no momento da visita, pois não exigem ferramentas específicas. Por exemplo, a facilidade de movimentação é determinada pela observação do espaço real disponível para cada animal. Essa metodologia garante consistência e confiabilidade nas auditorias, graças também ao treinamento prévio que os auditores recebem”, explica Laura.

Resultados da auditoria e comunicação com as fazendas

O resultado da auditoria é inserido em um simulador que calcula uma pontuação final entre 0 e 100 pontos. Essa pontuação também divide os resultados por critério e princípio. Para ser aprovado, você precisa atingir pelo menos o nível "bom", além de atingir determinados limites para os princípios avaliados. "É uma questão puramente numérica, não emocional", esclarece Laura.

“Como já disse, obter a certificação Welfair "É um ato voluntário, mas uma coisa é muito clara: não podemos concedê-lo se uma fazenda não cumprir a legislação de bem-estar animal. Temos uma lista de pré-requisitos baseada em regulamentações legais e alguns aspectos adicionais de biossegurança e manejo. Não avaliamos essa legislação, mas sim verificamos se ela é atendida como condição necessária para a realização da auditoria de bem-estar animal", explica. Portanto, pode haver fazendas que atendem aos critérios do protocolo observados nos animais, mas não atendem a algum ponto dos pré-requisitos legais. "Mesmo que os critérios do protocolo tenham sido atendidos, não podemos conceder o selo se a legislação não for respeitada", conclui.

Em caso de não conformidades, ou seja, descumprimento dos requisitos do protocolo, o auditor deve explicá-las ao agricultor, que tem 30 dias para apresentar um Plano de Ações Corretivas (PAC). Este plano é avaliado e, se necessário, ações adicionais ou auditorias extraordinárias são solicitadas para verificar sua implementação. As não conformidades também podem aumentar a amostragem em 25% dentro do esquema de certificação.

Desafios e visão de futuro em bem-estar animal

Um dos principais desafios que Laura enfrenta em seu trabalho é explicar o papel do auditor e superar a percepção de que ele é apenas um inspetor em busca de falhas. Segundo ela, comunicação e empatia são fundamentais para garantir que os produtores entendam o processo e colaborem na melhoria contínua. "Os produtores são os primeiros interessados ​​no bem-estar de seus animais e, quando lhes damos ferramentas para melhorar, eles o fazem com gratidão, pois sabem que isso beneficia tanto os animais quanto suas próprias operações", conclui.

“Quando os protocolos surgiram Welfair® Um esforço enorme e enorme foi feito: passar de nada para algo que nos permitisse mensurar o bem-estar animal. Não apenas observamos as instalações, mas também observamos os animais, e para mim, isso foi um avanço impressionante." Laura conclui com otimismo que o trabalho colaborativo entre produtores, veterinários e auditores já está fazendo a diferença, melhorando o bem-estar animal e promovendo um futuro mais ético para a indústria agroalimentar. Mesmo assim, "o caminho a seguir deve se basear no desenvolvimento de protocolos que permitam uma avaliação mais precisa e realista do bem-estar nos diferentes tipos de produção disponíveis em nosso país e na Europa".

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