Entrevista com Esteban Casado – Canard

10/02/2026

“O futuro da pecuária depende claramente do bem-estar animal.”

Esteban Casado García, Presidente do Conselho de Administração de Canard SASediada na província de Soria, a empresa lidera uma das transformações mais significativas do setor de patos na Espanha. Através da sua marca Malvasía, a empresa aposta num modelo de produção baseado na pesquisa, na adaptação a um mercado cada vez mais exigente e no bem-estar animal.

Nesta entrevista, Esteban Casado analisa a trajetória da Canard e o trabalho desenvolvido em conjunto com a NEIKER para obter a certificação. Welfair®, os principais desafios técnicos enfrentados e sua visão para o futuro da pecuária.

Origens da empresa e mudança geracional
A Canard SA foi fundada em 1989, quando o pai de Esteban Casado, veterinário e figura conhecida no setor pecuário de Soria, começou a criar patos na província. Naquela época, era uma atividade muito incomum na Espanha, onde os patos eram quase exclusivamente associados ao foie gras.

O projeto teve início em uma antiga granja de coelhos que foi convertida para a criação de patos, com o apoio de parceiros locais e fortes laços com a comunidade rural. Desde o início, a empresa manteve uma relação próxima com a região. Ao longo do tempo, as operações cresceram de forma constante até que, em 2006, um matadouro e uma nova fábrica foram construídos no mesmo município.

Esteban Casado juntou-se integralmente à gestão em 2020 com uma ideia clara: relançar o projeto e dar um impulso definitivo a uma linha de trabalho que vinha se desenvolvendo há anos, especialmente na área do bem-estar animal.

O compromisso com o bem-estar animal e o trabalho com Welfair®
Desde aproximadamente 2010, a Canard vinha desenvolvendo diversos projetos de P&D com um objetivo muito específico: “obter um produto de qualidade sem recorrer à alimentação forçada”. Quando Esteban entrou para a empresa, essa linha de pesquisa tornou-se um de seus pilares estratégicos. “Tínhamos clareza de que, se não conseguíssemos replicar o foie gras tradicional, ao menos precisávamos desenvolver uma alternativa viável baseada em sólidos critérios de bem-estar animal”, explica ele.

O contato com a NEIKER ocorreu em uma feira comercial em Bilbao. Embora a proposta inicialmente tenha gerado ceticismo — dada a forte associação do pato com o foie gras tradicional —, o desafio técnico despertou o interesse da NEIKER, já que não havia um protocolo específico de bem-estar animal para patos. O trabalho intensivo começou em 2021, culminando em 2022 com a [informação faltante]. certificação da fazenda sob o protocolo Welfair®, marcando um marco tanto para a Canard quanto para o próprio setor.

O desafio do matadouro e a melhoria dos processos
A certificação do matadouro foi um dos desafios mais complexos do projeto. Durante muito tempo, o sistema de atordoamento foi o principal obstáculo à sua validação, obrigando a empresa a rever e adaptar os seus processos. Após múltiplas auditorias e ajustes, finalmente obtiveram a certificação para o matadouro de patos que não são alimentados à força. Este processo também permitiu reforçar outros aspetos do funcionamento do matadouro, contribuindo para uma melhoria global e maior profissionalização.

Alterações e melhorias nas fazendas
A implementação do protocolo WelfairA iniciativa trouxe melhorias significativas para as fazendas. Atenção especial foi dada ao ambiente externo, com o plantio de vinhedos, árvores e arbustos que proporcionam cobertura vegetal, bem como a criação de áreas específicas para banho dos patos. Auditorias anuais têm facilitado uma dinâmica de melhoria contínua, incorporando pequenas mudanças que, juntas, “têm um impacto real na vida dos animais”, observa ele.

Para Esteban, o bem-estar animal é um elemento fundamental tanto do ponto de vista ético quanto produtivo: “Produção e bem-estar são perfeitamente compatíveis. Animais em melhores condições resultam em menos perdas e maior qualidade do produto final.”

Mercado, setor e perspectivas futuras
No início de 2025, a Canard deixou de usar patos criados especificamente para a produção de foie gras, com o objetivo de converter progressivamente todas as suas fazendas para modelos baseados no bem-estar animal. Embora o foie gras continue sendo uma parte significativa do negócio, a evolução do mercado é evidente, tanto na Europa quanto no Brasil.

Esse processo de transformação não ocorreu sem dificuldades e resistência dentro do setor, mas a convicção de Esteban é firme: "O bem-estar animal moldará o futuro da pecuária". Em sua opinião, chegaremos a um ponto em que, como já acontece em países como Alemanha, Reino Unido e Dinamarca, produtos sem certificação de bem-estar animal não terão mais espaço no mercado. Além das certificações, o objetivo é oferecer aos consumidores a garantia de que os animais foram bem cuidados.

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