"Welfair "Mede o que o animal nos diz sobre o seu bem-estar, não o que nós, humanos, achamos que ele deveria sentir."
O que exatamente é o certificação Welfair E qual é a sua origem?
Welfair Trata-se de uma certificação independente, científica e multiespécie que avalia o bem-estar real dos animais em fazendas e matadouros. No setor agroalimentar (ou seja, para consumo), entendemos bem-estar animal como animais bem alimentados, bem cuidados, saudáveis, livres de medo e estresse, e que vivem e interagem uns com os outros em um ambiente adequado.
A particularidade de Welfair Não se limita a avaliar as instalações ou os procedimentos, mas concentra-se no próprio animal, observando diretamente seu comportamento, seu estado físico e emocional e como ele interage com o ambiente.
O sistema teve origem numa colaboração entre o IRTA e o Neiekr, dois centros de referência em investigação agroalimentar em Espanha, que desenvolveram este sistema com base nos projetos europeus Welfare Quality (2004–2009) e AWIN (2011–2015). Estes dois projetos reuniram mais de 400 cientistas de toda a Europa para estabelecer uma metodologia comum de medição do bem-estar animal com indicadores objetivos e verificáveis, uma ferramenta que constitui agora a base do sistema. Welfair.
O que diferencia este selo de outros sistemas ou certificações de bem-estar animal?
A grande diferença é que Welfair Ela mede o que o animal "nos diz" sobre seu bem-estar, e não apenas as instalações ou fatores externos. É uma certificação baseada em animais, multiespécies e completamente independente, que aplica auditorias rigorosas com base na observação científica do comportamento, saúde, nutrição e ambiente.
Além disso, possui um sistema de auditorias anuais, algumas sem aviso prévio, realizadas por organismos de certificação independentes compostos por Welfaire com um Comitê Científico que revisa e atualiza constantemente os protocolos para adaptá-los aos avanços na pesquisa e à realidade da produção.
Quais espécies estão atualmente abrangidas pela certificação e como a metodologia é adaptada a cada uma delas?
Atualmente, a certificação Welfair Inclui gado bovino, ovino, suíno, aves (galinhas, perus, patos e codornas) e coelhos, bem como produtos derivados, como leite, ovos, laticínios ou linguiças.
Cada espécie possui seu próprio protocolo, adaptado à sua fisiologia, comportamento e ambiente, com até 60 indicadores específicos, que respondem aos quatro princípios fundamentais: boa alimentação, bom alojamento, boa saúde e comportamento natural.
Como é realizado o processo de certificação?
Em primeiro lugar, as fazendas ou matadouros que desejam obter a certificação devem entrar em contato com um organismo de certificação independente autorizado por Welfair, que realiza uma auditoria completa no local.
Durante a avaliação, verifica-se o cumprimento dos requisitos legais de cada país, bem como os parâmetros adicionais de biossegurança, manejo e bem-estar animal definidos por Welfair.
As auditorias são realizadas pelo menos uma vez por ano e podem ser complementadas por auditorias não anunciadas. Caso sejam detectadas não conformidades, as empresas devem corrigi-las dentro de um prazo específico para manter a certificação. Somente após atender a todos os critérios é que a fazenda ou o matadouro recebe a certificação. Welfair, renovável anualmente.
Podemos ver o Selo Welfair Em produtos cárneos ou derivados (leite, laticínios, ovos, salsichas, etc.), desde que sejam certificados e a rastreabilidade de todos os elos da cadeia produtiva seja verificada.
A Espanha é um dos principais produtores de carne da Europa. Qual o nível de implementação da certificação e seu crescimento internacional?
Atualmente, mais de 32.000 fazendas e 400 matadouros são certificados por este programa, que já é aplicado em nove países — incluindo Espanha, Portugal, Dinamarca, Chile, Costa Rica, Equador, México e Brasil — e continua a se expandir para novas regiões da Europa e da América Latina.
Esse crescimento é uma resposta à maior conscientização social e ao interesse do consumidor em saber o que está por trás de cada produto.
Do ponto de vista da indústria da carne, quais são os benefícios específicos que o selo traz? Welfair?
Ter o selo Welfair Isso permite que as empresas demonstrem que seu compromisso com o bem-estar animal é real e mensurável. Além disso, permite que os consumidores saibam que estão envolvidos no cuidado com seus animais.
Além do reconhecimento, traz benefícios tangíveis: animais bem cuidados adoecem com menos frequência, necessitam de menos tratamento medicamentoso e se desenvolvem melhor, o que se traduz em maior eficiência produtiva e melhor qualidade dos alimentos.
Além disso, gera confiança e reputação: o selo tornou-se um símbolo de transparência e responsabilidade, tanto para a indústria quanto para o consumidor. Como os produtores costumam dizer, o bem-estar animal não é apenas uma obrigação ética, mas também um investimento produtivo para o futuro.
De que forma o bem-estar animal influencia a qualidade da carne e a percepção do consumidor?
Existe uma relação entre o bem-estar animal e a qualidade do produto final. Em geral, animais que vivem em ambientes confortáveis e livres de estresse tendem a ter uma fisiologia muscular melhor, o que pode resultar em carne mais macia e, potencialmente, em uma vida útil mais longa.
Do ponto de vista do consumidor, o selo Welfair Funciona como um garante de confiança, pois assegura que o produto passa por uma auditoria científica e possui rastreabilidade completa. E essa confiança se traduz em fidelidade: quem conhece o que está por trás do selo o procura.
Você acha que o setor percebeu uma melhora real após a implementação do sistema?
Sem dúvida. O sistema fomentou uma cultura de melhoria contínua, pois exige que as empresas revisem suas práticas anualmente e incorporem os novos aprendizados.
Hoje, muitas fazendas utilizam relatórios de auditoria como ferramenta de autodiagnóstico: elas sabem quais aspectos precisam ser aprimorados e como fazê-lo. Essa é talvez a maior contribuição de Welfair: tendo transformado o bem-estar animal em um processo mensurável e comparável.
Os resultados são visíveis: mais formação técnica, melhores condições de alojamento e de gestão, e uma consciência setorial que está a passar da obrigação à convicção.
E quanto ao consumidor? Ele está ativamente procurando por produtos certificados?
Cada vez mais. Embora ainda haja espaço para crescimento, os consumidores estão começando a reconhecer o selo. Welfair como sinônimo de rigor e qualidade. Dado o mesmo preço, geralmente optam pelo produto certificado, pois entendem que por trás dele reside um verdadeiro compromisso com a ética e a sustentabilidade.
No entanto, ainda há trabalho a ser feito na comunicação. O desafio para o setor é explicar melhor o que significa bem-estar animal e desconstruir clichês: não se trata de animais em pastos idílicos, mas de garantir sua saúde, conforto e ausência de estresse, conforme mensurado cientificamente. Transparência e educação são tão importantes quanto a própria certificação.
Num contexto em que a sustentabilidade e a ética ganham cada vez mais importância, qual o papel do bem-estar animal?
O bem-estar animal é um dos pilares da sustentabilidade agroalimentar, assim como a eficiência e a responsabilidade ambiental.
Animais saudáveis e bem tratados significam menos desperdício, menos uso de antibióticos e melhor conversão alimentar, o que reduz a pegada ecológica e melhora a resiliência do sistema.
Cada vez mais empresas do setor de carne estão integrando o bem-estar animal em sua estratégia geral de sustentabilidade, entendendo que ética, qualidade e eficiência não são objetivos opostos, mas sim complementares.
Que mensagem você gostaria de transmitir ao setor e ao consumidor final?
O bem-estar animal é muito mais do que uma norma ou uma certificação: é uma forma de produzir de maneira responsável. Envolve o cuidado com os animais, mas também com as pessoas.
Quando aplicada com rigor científico e medida de forma transparente, essa prática gera confiança, melhora a qualidade e fortalece toda a cadeia alimentar.
De Welfair Queremos deixar claro que essa abordagem não é um acréscimo, mas sim parte essencial da produção moderna, sustentável e ética em um país como o nosso, onde as coisas já são feitas bem. Investir no bem-estar animal significa investir em conhecimento, melhoria contínua e uma relação mais honesta entre produtores e consumidores.

